quinta-feira, 31 de maio de 2007


Estou esperando o quê?

me sinto uma garotinha

encolhida em um canto

esperando o momento certo

de gritar...

E o momento passa

entala na garganta

tenho quase espasmos

mas o enjôo é necessário

vingança contra mim mesma

Sou o pior de mim mesma agora

Sou uma covarde...

Tenho medo de ir ao mercado

e comprar um mocadinho do seu amor

a preço de "mortadela"

Será mesmo que quero seu amor carnal?

Ou, se o conservo congelado

será por esperança que daqui à uns anos

eles descubram a cura pra você?

Acho que em minha loucura

crio uma doença em você

que talvez seje mais minha do que sua

Fruto de minha carência

queria cuidar de seus olhos febris

Ou apenas controlar a taquicardia

pura de nossos desencontros...

Mas o momento

volta a boca

preciso vomitar o leite materno

que a anos aprisionou o amor

dentro de mim

Preciso que ele se cristalize em palavras

e que com o vento

chegue aos seus ouvidos

como um sussurro

o substantivo chamado amor

pois o "eu te amo"

feriria seus tímpanos

Mesmo que isso não seja

tão verdadeiro assim...


A tentação do prazer. A tentação é comer direto da fonte. A tentação é comer direto na lei. E o castigo é nunca mais querer para de comer, e comer-se a si próprio que sou matéria igualmente comível. E eu procurava a danação como alegria. Eu procurava o mais orgíaco de mim mesma.
Eu nunca mais repousaria: Eu havia roubado o cavalo de caçada de um rei da alegria. Eu era agora pior do que eu mesma!
Nunca mais repousaria: roubei o cavalo de caçada do rei do sabá. Se adormeço por um instante, o eco de um relincho me desperta. E é inútil não ir. No escuro da noite o resfolegar me arrepia. Finjo que durmo mas no silêncio o ginete me arrepia. Não diz nada mas respira. Todos os dias será a mesma coisa: já ao entardecer começo a ficar melancólica e pensativa. Sei que o primeiro tambor na montanha fará a noite, sei que o terceiro já me terá envolvido na trovoada.
E ao quinto tambor já estarei inconsciente na minha cobiça.. Até que de madrugada, aos primeiros tambores levíssimos, me encontrarei sem saber como junto a um regato, sem jamais saber o que fiz, ao lado da enorme e cansada cabeça do cavalo.
Cansada de quê? Que fizemos nós, os que trotam no inferno da alegria? Há dois séculos que eu não vou. Da última vez que desci da sela enfeitada, era tão grande minha tristeza humana que jurei nunca mais. Converso, arrumo casa, sorrio, mas sei que o trote está em mim. Sinto falta como quem morre. Não posso mais deixar de ir.
E sei que de noite, quando ele me chamar, irei. Quero que ainda uma vez o cavalo me conduza ao meu pensamento. Foi com ele que aprendi. Se é pensamento essa hora de latidos. Os cães latem, começo a entristecer porque sei, com o olho já resplandecendo, que irei. Quando de noite ele me chama para o inferno, eu vou. Desço como um gato pelos telhados. ninguém sabe, ninguém vê. Apresento-me no escuro, muda em fulgor. Correm atrás de nós cinquenta e três flautas, à nossa frente uma clarineta nos alumia. E nada mais me é dado saber.
De madrugada eu nos verei exaustos junto ao regato, sem saber que crimes cometemos até chegar a madrugada. Na minha boca e nas suas patas a marca de sangue. O que imolamos? De madrugada estarei de pé ao lado do guinete mudo, com os primeiros sinos de uma igreja escorrendo pelos regato, com o resto das flautas ainda escorrendo pelos cabelos.


Clarice Lispector
A paixão segundo GH

quarta-feira, 30 de maio de 2007


GÊNESE


Hoje olhei pra você

e você parecia mais vivo

Assustei-me,

pois foi com os olhos de dentro que te vi

Todos meus órgãos entraram em falência

E depois silêncio...

Comecei a nascer novamente

Transformei em um singela célula

E meu novo entendimento - nuclear

Não posso voltar atrás

Percebi que os medos

desencadeiam a produção

de sentimentos defeituosos.

Agora sou célula - alma

solta no universo

tão vazia - mas sendo!

Pois, existem organismos unicelulares

independentes,

completos e descomplicados

Natureza pura!

Do que me alimentarei?

Não, eu ainda não tenho

essa conciência

Mas desconfio que sou perigosa

O inferno é meu máximo

Mas também sou natureza

e natureza é Deus

E no segundo dia de vida

vou parir o universo

e seus buracos negros...




terça-feira, 29 de maio de 2007






ESSA FOTO É EM HOMENAGEM AO "MARCELO",
QUE TEM BOM GOSTO ASSIM COMO EU!!!
RS








segunda-feira, 28 de maio de 2007


ESSE POEMA É DE UMA PESSOA MARAVILHOSA,

LINDO...




SOZINHO


O tempo está passando

è algo que não volta mais

A infancia agora é somente uma lembrança

e os horizontes não parecem mais tão distantes

Continuam sendo muitas perguntas

e ainda não há respostas para os porquês


Tão perto

e a distancia ainda nos separa

Vejo seu rosto

e não tenho palavras a dizer

Então vejo seu olhar


Sentado sobre as montanhas

fecho meus olhos e escuto o vento cantar

Olho à minha volta

Não vejo ninguem

Procuro nas entrelinhas

e continuo não encontrando alguém


Tudo parecia ser tão fácil

mas quando conhecemos a vida

Descobrimos que não é bem assim

Às vezes temos medo

Vemos coisas passando perto

e as deixamos ir


Tão perto

e a distancia ainda nos separa

Vejo seu rosto

e não tenho palavras a dizer

Então vejo seu olhar


Realmente não tenho respostas

para todas as perguntas

Mas será que o erro foi meu?

Talvez as respostas estejam à frente

e não às podemos ver

Não podemos encontrá-las sozinhos

e continuo não encontrando alguém


Venho procurar no passado

as chaves para o futuro

As portas precisam ser abertas

Vagamos sobre as nuvens

Caminhamos sobre o vento

e então podemos ver as coisas de outro modo


Tão perto

e a distância ainda nos separa

Vejo seu rosto

e não tenho palavras a dizer

Então vejo seu olhar

É tarde de mais para desistir agora


Tudo tão perto

Então vejo seu rosto

Olho à minha volta

Então vejo seu olhar

Sigo os novos horizontes


Tão perto

e a distancia ainda nos separa

Vejo seu rosto

e não tenho palavras a dizer

Então vejo seu olhar

domingo, 27 de maio de 2007

Relâmpagos de álcool
As vozes só
choram no sol
Minha boca em chamas
Torturada,
me despes anja fada.
Logo te vai.
(print image)v

Estou aqui,
você consegue me ver???
O que sou agora é transmutação
o desejo por me perder
trouxe uma nova extensão de mim...
Mais trasparente e banhada pelo silêncio
Tenho gosto insípido de lágrimas
sou luz passageira do sol
que acaba de entrar atrás de uma nuvem...
Minha próxima aparição
será daqui a 3.000 anos d.c.
Terei saudades de você
filho que não tive...
Mas não perdoarei a dor que me causou o aborto
da tristeza,
a felicidade ainda é ofuscante aos meus olhos frágeis
E quente,
absorvo pelos cantos
mas com infinito medo dela se esfriar
e eu já não à querer mais...
Estou me entregando ao perigo
expondo minhas asas
Ai amor,
segure minha mão
tenho medo de voar,
e ir embora sem você saber que não era paixão...
Nada aconteceu neste tempo real
só tinha você em meus sonhos
mas eles eram só meus, não?
Sim, sim, sim...
Sou egoísta com minhas criaturas
e você com suas coisas
Perdemos um ao outro na construção da barca...
Mas a tempestade não veio como esperávamos
e você chorando com suas coisas
e eu solta
me transformei em tempestade
escorrendo pelos seus dedos
pelos seus sonhos...

sexta-feira, 25 de maio de 2007


Não sou uma mulher dura

eu só estou protegendo o mundo de mim...

Meu amor

se estou fugindo ou me confessando

é porque minha natureza

é deveras doce

e tu em sua diabética vida

que é patética

não te quero mais,

não mais...

quinta-feira, 24 de maio de 2007


Acrilic on Canvas


É saudade, então

E mais uma vez

De você fiz o desenho mais perfeito que se fez

Os traços copiei do que não aconteceu

As cores que escolhi entre as tintas que inventei

Misturei com a promessa

que nós dois nunca fizemos

De um dia sermos três

Trabalhei você em luz e sombra


E era sempre,

Não foi por mal

Eu juro que nunca quis deixar você tão triste

Sempre as mesmas desculpas

E desculpas nem sempre são sinceras

Quase nunca são


Preparei a minha tela

Com pedaços de lençóis

que não chegamos a sujar

A armação fiz com madeira

Da janela do seu quarto

Do portão da sua casa

Fiz paleta e cavalete

E com lágrimas que não brincaram com você

Destilei óleo de linhaça

Da sua cama arranquei pedaços

Que talhei em estiletes de tamanhos diferentes

E fiz, então, pincéis com seus cabelos

Fiz carvão do baton que roubei de você

E com ele marquei dois pontos de fuga

E rabisquei meu horizonte


E era sempre,

Não foi por mal

Eu juro que não foi por mal

Eu não queria machucar você

Prometo que isso nunca vai acontecer

mais uma vez

E era sempre, sempre o mesmo novamente

A mesma traição


Às vezes é difícil esquecer:

"Sinto muito, ela não mora mais aqui"

Mas então, por que eu finjo

Que acredito no que invento?

Nada disso aconteceu assim

Não foi desse jeito

Ninguém sofreu

É só você que me provoca essa saudade vazia

Tentando pintar essas flores com o nome

De "amor-perfeito"E "não-te-esqueças-de-mim"


Paciência

Lenine

Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede um pouco mais de alma
A vida não para
Enquanto o tempo acelera e pede pressa
Eu me recuso faço hora vou na valsa
A vida é tão rara
Enquanto todo mundo espera a cura do mal
E a loucura finge que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é o tempo que lhe falta pra perceber
Será que temos esse tempo pra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara (Tão rara)
Mesmo quando tudo pede um pouco mais de calma
Mesmo quando o corpo pede um pouco mais de alma
Eu sei, a vida não para(a vida não para não)

quarta-feira, 23 de maio de 2007


SAUDADE

1. saudade na forma líquida; 2. mistura de água do mar com alma moída;3. secreção aquosa expelida através dos canais lacrimais quando se espreme o coração;4. felicidade que escorre pela face; 5. estrela cadente que despenca do céu dos olhos de quem ama; 6. motivo da existência de lenços brancos; 7. resultado da fusão de sentimentos contraditórios quando submetidos a altas temperaturas; 8. nome comumente dado ao fim de um romance; 9. momento que antecede o adeus;10. pedaço de ontem; 11. antônimo de desprezo; 12. matéria-prima das jujubas;13. grande inspiração dos poetas; 14. fado de Amália Rodrigues;15. na Europa, folha que cai da árvore quando chega o outono;16. na infância, associada ao berro, alarme de fome; 17. na velhice, fome de colo;18. névoa úmida que cobre o mundo quando chove dentro da gente.



BOCA

1. extremidade externa do coração; 2. pétala vermelha e perfumada que nasce do sorriso dos amantes; 3. porta de entrada do desejo; 4. órgão complementar do aparelho reprodutor; 5. invólucro de galáxias; 6. microempresa que produz ósculos; 7. local que deve permanecer vedado para que se evite a entrada de insetos dípteros; 8. motivo de desconfiança de Chapeuzinho Vermelho; 9. lar do ronco; 10. elemento anatômico indispensável ao disparo de cusparadas; 11. moldura de um quadro intitulado "alegria"; 12. maior símbolo do rock and roll; 13. quando de encontro a outra em velocidades superiores à da luz, estimuladora da produção de relâmpagos; 14. local onde se introduz endorfinas em forma de barras, no combate à melancolia; 15. motivo da existência das fábricas de batom; 16. misteriosa caverna da alma, de onde nunca se sabe que animal pode sair; 17. carne macia ao toque da língua...


Minha cabeça lateja

talvez essa é a única prova de que estou viva

O resto é imensidão de vazio

Atinjo a liberdade de não ser quem sou

pois essa se perdeu...

Estão visto máscaras

E se escolho as da tristeza ou da solidão

é pela beleza singela

Dentro da máscara

sombras de quem sou

E olhando pra dentro de mim - inércia

Ponto fixo pra olhares descuidados

Mas, asteroíde perdido no universo

pronto para viver a cadência

de atravessar sua visão e seus desejos

E se queres saber porque me encontro sem órbita

Foi porque fui devorada e consumida

pelo buraco negro

da incompreensão.

terça-feira, 22 de maio de 2007



Saí ontem de sala correndo

escrevi esse poema para o reginaldo.

Sei que parece que sou louca

mas estou cada vez mais lúcida

e isso não é bom, nem ruim...

é como parir um animal selvagem

que existe dentro de mim

e nunca saber quem está em perigo...

A morte do amor


Te conheci quando te entreguei à morte
Quis ignorar e pensar
que você era algo insignificante pra mim
e para todos
Com sua aparência asquerosa
movimentos lerdos
Te achei desprovido de dor
mas ao limpar-te tive cuidado
não quis ferir tuas frágeis patas
e por conseqüência, pude re-parar
E foi nesse momento,
exatamente neste momento
que “aconteceu”...
E me afastei
Isso é loucura!!!
Fruto de uma carência
de alma de criança
que volta a crescer dentro de mim
Sensação de náusea, vômito
Afastei-me...
mas você delicadamente se fez presente
E me chamou:
vêm, vêm, vêm...
E ante sua morte certa
Gravei dentro de mim
Suas curvas, seus pêlos
sua cor brilhante...
Mas foi ao ver teus olhos
que você me aprisionou
Pois nele reconheci

minha dor e meu desespero

Perante o cárcere do egoísmo

mortal dos homens

Com suas desculpas para desonrar nossa sensibilidade

Pois a fragilidade é mantida em uma redoma

E pequenas grandes almas

objeto de estudo

Pois nunca nos entenderão

Não aqui, e não agora...

E nós, em nosso patético esforço de nos libertarmos,

temos esperança?

Ou será instinto animal

e impulso à sobrevivência?

Poderia eu adiar sua morte ou a minha?

mas hoje eu falhei

Eu que já nem sei quem sou

Eu e minha voz já tão fraca

Eu e meu corpo desprovido de sentidos...

Sinto também os olhos

a me aprisionar o coração

e não sinto dor...

escuto apenas a voz do silêncio dizendo:

- não vamos lhe fazer mal

Mas o amor tem que morrer.

Para Reginaldo

segunda-feira, 21 de maio de 2007


Carvão
Ana Carolina

Surgiu como um clarão
Um raio me cortando a escuridão
E veio me puxando pela mão
Por onde não imaginei seguir
Me fez sentir tão bem, como ninguém
E eu fui me enganando sem sentir
E fui abrindo portas sem sair
Sonhando às cegas, sem dormir
Não sei quem é você
O amor em seu carvão
Foi me queimando em brasa num colchão
E me partiu em tantas pelo chão
Me colocou diante de um leão
O amor me consumiu, depois sumiu
E eu até perguntei, mas ninguém viu
E fui fechando o rosto sem sentir
E mesmo atenta, sem me distrair
Não sei quem é você
No espelho da ilusão
Se retocou pra outra traição
Tentou abrir as flores do perdão
Mas bati minha raiva no portão
E não mais me procure sem razão
Me deixa aqui e solta a minha mão
Eu fui fechando o tempo, sem chover
Fui fechando os meus olhos, pra esquecer
Quem é você?
Quem é você?
Quem é você?
Você...

sábado, 19 de maio de 2007

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Enya

O dia começa,
tem azul no céu.
Seu rosto diante de mim,
entretanto não sei porquê.
Pensamentos sumindo
como lágrimas vindas da Lua.
Esperando aqui,
enquanto eu me sento na pedra,
Eles surgem diante de mim,
aqueles homens do Sol.
Sinais do Céu dizem que sou eu [o escolhido].
Agora você está aqui,
posso ver sua luz,
Esta luz que devo seguir.
Você,
você pode levar minha vida,
para bem longe.
Agora eu sei que devo abandonar seu encanto,
Eu quero o amanhã.
Tomei uma decisão importante
decidi se mais eu,
mas feliz
pelo simples fato de ter acordado hoje
E tranquila perante o grande mistério
que os segundos, minutos e horas
me aguardam pelo dia
Então mergulho em pencamentos deliciosos
e com certa desconfiança
garimpo pequenos diamantes - meus desejos
Meus sonhos - os mais belos
quargo em uma caixinha
e jogo a chave fora...
Conspiro contra minha felicidade
só para ver do escuro dos meus olhos
rolar uma singela lágrima
Brilhante testemunha de minha esperança em cárcere
ou apenas dor
que teima em ser fugitiva do meu peito.
O yin yang em mim
é somente triste dúvida
de te amar cegamente
ou te abandonar nas estradas da vida.
Quando penso em você
o tempo para
Não há uma folha de árvore balançando
nenhum movimento nas nuvens...
Habita em mim um demônio
que sedento sussurra em meus ouvidos
planos para te esquartejar
pois assim teria todos os dias
um pedacinho do seu amor frio
para servir no almoço
juntamente com seu sangue tórrido.
Mas habita juntamente em meu peito
um anjo tímido
e com sua voz baixinha
que clama em meus ouvidos
para seguir os monges solitários
em uma viagem sem fim
para dentro do meu eu.
Onde em fim
você será apenas passado
E nossa história
somente areias do deserto.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

ESTA É A COISA MAIS LINDA QUE LI SOBRE A NOITE:

Quando minha alma se cansou dos homens e minhas pálpebras, da luz do dia, dirigi-me àqueles campos campos distantes onde dormem as sombras dos tempos idos.
Lá me achei diante de um ser sisudo, glacial, trêmulo, que caminhava com mil pés pelas planíces e as montanhas e os vales.
Lá pede fixar os olhos nas trevas, e ouvir o rumos das asas invisíveis, e sentir as carícias do silêncio, e resistir aos temores da escuridão.
Lá te vi, ó noite, fantasma gigante, formoso, suspenso entre terre e céu, velado pelas nuvens, envolto na cerração, rindo-te do sol, rindo-te do dia, zombando dos escravos em vigília diante dos ídolos.
Vi-te censurando os reis adormecidos sobre seda, examinado os rostos dos criminosos, embalando as crianças no berço, entristecida pela alegria das decaídas, sorrindo as lágrimas dos apaixonados, elevando com tua mão direita o coração dos grandes, esmagando sob teus pés as almas mesquinhas.
Vi-te, ó noite, e tu me viste. E eras, na tua temível majestade, um pai pra mim, e eu era, como meus sonhos, um filho pra ti. E não houve mais cortinas nem véus entre nós, e confessante-me teus segredos e intentos, revelei-te minhas aspirações e minhas esperanças. E quando os terrores de tuas face se transformaram em melodia, suave como o murmúrio das flores, e meus temores cederam lugar a uma segurança doce como a confiança dos pássaros, elevaste-me a ti, e me pusente sobre teus joelhos, e ensinaste aos meus ouvidos a ouvir, e aos meus lábios a falar. E ensinaste ao meu coração a amar o que os homens odeiam, e a odiar o que eles amam. Depois. tocaste meus pensamentos com teus dedos, e meus pensamentos jorraram tal um rio caudaloso que corre, cantando e arrastado as plantas mortas. Depois, beijaste minha alma; e minha alma ardeu, tal uma chama que consome todas as coisas secas.
Khalil Gibran

segunda-feira, 14 de maio de 2007

DESDE SEXTA QUE MEU AMIGO
NÃO ME ESCREVE,
ESTOU DECEPCIONADA E COM MEDO
DE ELE DESFAZER NOSSO LAÇO.
PÓREM EM MINHA NOVA VIDA
APRENDI A CURAR MINHAS DORES EMOCIONAIS
EM MENOS TEMPO...
E SE ISSO PROSEGUIR
ENCARO ISSO
COMO A FRASE DE FERNANDO PESSOA:

"O valor das coisas
não está no tempo que duram,
mas sim
na intensidade que acontecem"
CONFISSÃO À MIM MESMA
POIS POR ENQUANTO ME FALTA CORAGEM...

Posso lhe confessar que
simplesmente estou gostando de você
e da sua sutil presença em minha nova vida
Gosto da grande confusão gerada
na tentativa de uma aproximação
Pois quando não falas comigo
cai meu mundinho frágil,
ou às vezes não...
Vendo você sério e comprometido
com o incompreensível pra mim
sou tocada pela bruma leve de seu mistério...
Muito delicado nosso laço
de momentos de vôos vertiginosos
ao grande perigo de debruçar
no precipício das emoções...
Visto máscaras de mulheres maduras e sedutoras
louca de desejo de sugar seu sangue jovem
e às vezes me sirvo de máscaras de meninas
a sentir o calor e as vertigens do começo da paixão
A minha frente a grande montanha
me separando do objeto de meu desejo
Então adormeço e clamo ao deus dos sonhos
asas para voar ao encontro da sua compreensão
deste sentimento errante...
Quero que você me veja
como uma grande guerreira
dando meu sangue e suor nas batalhas
que surgirão adiante...
Com a cabeça erguida,
mesmo perante as derrotas...
mas que apesar de tudo,
com pleno direito de porventura
chorar.

20% Off
African Dreams II Art Print by A.W.M. Nour
20% Off
v

sexta-feira, 11 de maio de 2007

POEMA DE ALGUÉM...


O TEMPO é o TEMPO
Egoísta sempre ele
Em muitos momentos único
mas em muitos momentos dissoluto
Pode ele passar de formas diferentes
para diferentes pessoas
e num futuro talvez
poderá soar como um presente no Horizonte
A Essência de cada um é
unicamente de cada um
poderá ser compartilhada
se quisermas nunca doada
Na natureza mais pura do ser
característica única ela não pode ter
Palavras podem ferira
Se achas que estou
Não é bem assim
os ciclos da vida fazem surgir novos sentimentos
e pesares e os conflitos sempre existirão
seja no interior de cada
ou na face de cada indivíduo
A vida é complicada sim
muito complicada às vezes
mas se fosse ela fácil
não teria reconhecido seu valor
Ninguém é um poço
onde solitariamente é capaz de realizar feitos
capaz de conhecer todos os defeitos
e discernir certo de errado
Bom de Ruim
Seria isso tudo um "adeus?"
Motivos não creio que existam
mas cada qual tem os seus
Se este for o caso
os sonhos devem ser seguidos
e os pés no chão mantidos
Não há jardim de uma única
Flor mas se única você for
uma outra flor poderá estar ao seu lado
para te ajudar a germinar.


Mudam várias coisas dentro de mim
novos ciclos, novas estações
Mas certos sentimentos permanecem inertes
Fico indefesa perante seu olhar petrificante...
dentro do meu coração árido
você é apenas chuva passageira
E no terreno infértil de minha emoções
há vida agonizante
morre mais um inocente sorriso...
Mas conservo ainda as reservas desta chuva escassa
Dizem que posso sobreviver sêca
por mais um tempo
O momento em que uma ave de rapina
ultrapassa o espaço de sua visão...
Então você sente?
Ainda consegue sentir o vento
que traz histórias de minha vida irreal?
Escuta o ranger do tempo
a corroer meus sonhos?
Sou sobreviventedo louco desejo de extinguir-me
Habitante de uma terra
chamada solidão...
Fernanda